EBD Lição 03 - A Graça que alcança todos os povos
EBD Lição 03: A Graça que alcança todos os povos.
Texto Áureo: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus.” (Ef 2.8).
Verdade prática: É pela graça que somos alcançados, perdoados e reconciliados com Deus.
Leitura bíblica em classe: Atos 15.1-5,28,29,36-39.
Introdução:
A expansão do Evangelho entre os gentios trouxe grande alegria à Igreja, mas também revelou um dos primeiros desafios doutrinários do Cristianismo. Com o retorno de Paulo e Barnabé a Antioquia da Síria, após a evangelização da Ásia Menor, surgiu uma controvérsia que ameaçava a unidade da fé: a salvação estaria condicionada à observância da Lei de Moisés?
Cristãos oriundos do farisaísmo passaram a exigir a circuncisão dos gentios convertidos, provocando um debate decisivo sobre a natureza da graça. Diante dessa crise, a Igreja buscou discernimento espiritual e fidelidade às Escrituras, culminando numa decisão importante, no Concílio de Jerusalém, que mostrou que a Graça de Deus alcança todas as nações.
Exegese e Resumo:
Conflito teológico v. 1-5.
Homens vindos da Judeia chegaram a Antioquia pregando que os novos cristãos gentios (não judeus) precisavam ser circuncidados e seguir a Lei de Moisés para serem salvos. Isso gerou uma grande discussão. Para resolver o impasse, a igreja enviou Paulo, Barnabé e outros até Jerusalém para consultar os apóstolos e os presbíteros. Chegando lá, alguns fariseus convertidos insistiram que era necessário exigir a guarda da lei mosaica.
O decreto de Jerusalém v. 28-29.
Após ouvirem os relatos e debaterem, a liderança da Igreja, guiada pelo Espírito Santo, tomou uma decisão equilibrada para não sobrecarregar os gentios. Eles escreveram uma carta determinando que os novos convertidos deveriam se abster de apenas quatro coisas básicas (para manter a comunhão e romper com o paganismo):
Alimentos sacrificados a ídolos;
Alimentos com sangue;
Carne de animais sufocados;
Imoralidade sexual.
O desentendimento entre Paulo e Barnabé v. 36-39.
Algum tempo depois, Paulo sugeriu a Barnabé que voltassem para visitar as igrejas onde haviam pregado na primeira viagem missionária. Barnabé queria levar junto João Marcos. No entanto, Paulo se recusou fortemente, porque Marcos os havia abandonado em uma missão anterior (na Panfília). A discussão foi tão intensa que os dois líderes decidiram se separar: Barnabé pegou Marcos e navegou para Chipre, enquanto Paulo escolheu Silas e seguiu por outra rota.
O capítulo mostra que a Igreja Primitiva enfrentou e venceu tanto crises teológicas doutrinárias (resolvidas em concílio e com foco na graça) quanto crises de relacionamento humano (que, apesar da dor da separação, acabaram multiplicando as frentes missionárias).
3. Definição e conceito da Graça:
A palavra grega cháris significa favor, bondade e dom imerecido. No Novo Testamento, a graça descreve a iniciativa soberana de Deus em salvar o ser humano, não por obras ou méritos, mas por amor e misericórdia (Ef 2.8,9). Diante do drama universal do pecado, que separou toda a humanidade de Deus (Rm 3.23), a graça se apresenta como o único meio de reconciliação. A Lei revela o pecado, mas não salva; somente a graça concede vida, pois onde abundou o pecado, superabundou a graça (Rm 5.20).
A graça alcança sua plena expressão na pessoa e na obra de Jesus Cristo. Por amor, Ele se fez pobre para nos enriquecer espiritualmente (2Co 8.9). Em Cristo, a graça não apenas perdoa, mas justifica e transforma, conduzindo o crente a uma vida santa e piedosa (Rm 3.24; Tt 2.11,12). Sua morte substitutiva e ressurreição garantem redenção, perdão e nova vida àqueles que creem (Jo 1.17).
Em Cristo, não há barreiras étnicas, culturais ou religiosas. Todo aquele que invoca o nome do Senhor será salvo (Rm 10.13). Essa graça universal deve ser recebida pela fé em Jesus Cristo, o único Salvador (Ef 2.8; Tt 3.4-7). Diante dessa graça tão ampla e suficiente, somos chamados não apenas a recebê-la, mas a viver sob o seu governo. A graça que salva também ensina, corrige e fortalece. Quem foi alcançado por ela responde com gratidão, fé perseverante e uma vida que glorifica a Deus em obediência e amor.
A. Como chegar ao trono da graça?
Crescer na graça e no conhecimento de Cristo pressupõe amadurecimento espiritual contínuo (2Pe 3.18). Assim, o acesso ao trono da graça ocorre com confiança, não fundamentada em méritos humanos, mas na obra redentora de Cristo, que removeu a barreira do pecado.
Além disso, aproximamo-nos com fé viva e reverência, pois sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11.6). Do mesmo modo, essa aproximação exige humildade e coração quebrantado, que o Senhor jamais despreza (Sl 51.17). Por isso, o trono é chamado de Trono da Graça: dele procedem misericórdia, perdão, socorro e poder espiritual.
B. Quando devemos nos chegar ao trono da graça?
As Escrituras orientam que busquemos a graça “em tempo oportuno” (Hb 4.16). Isso significa que o auxílio divino está sempre disponível no momento exato da necessidade. Com efeito, Deus é socorro bem presente na angústia (Sl 46.1) e jamais se atrasa. Portanto, o trono da graça não é inacessível nem reservado a poucos, mas permanece aberto a todos os crentes, que podem se achegar com confiança, hoje e sempre, pela fé em Jesus Cristo.
C. O'Que recebemos ao nos chegarmos ao trono da Graça?
Ao nos aproximarmos de Deus, recebemos misericórdia, perdão, fortalecimento espiritual e capacitação para viver segundo a sua vontade. Assim, toda a vida cristã depende dessa graça, desde a salvação até o crescimento contínuo em Cristo. Além disso, Deus comunica sua graça por meios espirituais ordenados: As escrituras sagradas (2Tm 3.15), a pregação do Evangelho (Rm 1.16), a oração (Hb 4.16), o jejum (Mt 6.16-18), a adoração (Cl 3.16), a plenitude do Espírito Santo (Ef 5.18) e a comunhão à mesa do Senhor (At 2.42).
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