segunda-feira, 28 de setembro de 2026

CASTAS DE DEMÔNIOS SÃO PARASITAS? - Prof. Waldir Ramos

Jejum para matar vermes? Castas de demônios são parasitas?

É oque afirmam alguns ''cristãos'' que seguem o gnosticismo e um evangelho deturpado dentro das redes sociais.


Esses dias eu recebi um Reel de um amigo pelo direct do Instagram e quando abri para assistir o vídeo e ler os comentários eu me surpreendi com tanta desinformação e deturpação das escrituras sagradas.

(Vídeo do Instagram - O vídeo que eu assisti se você quiser ver também.)


Mas como trabalhamos com argumentos e não com falácias, vamos aos pontos que combatem essas interpretações forçadas e chulas:


A afirmação de que "casta de demônios" se refere a parasitas físicos e de que os textos apócrifos gnósticos trazem verdades ocultas sobre isso é falsa do ponto de vista exegético, histórico e teológico.

​Em (Mateus 17 / Marcos 9): A passagem do jovem liberto por Jesus descreve sintomas como convulsões, rigidez, mudez e impulsos destrutivos (jogar-se no fogo e na água), que o texto bíblico atribui explicitamente a uma opressão espiritual (pneuma em grego), e não a verminoses ou infecções biológicas.

​Significado de "Casta" (Genos): No grego koiné, a palavra usada para "casta" é genos (\gamma\acute\epsilon\nu o\varsigma), que significa linhagem, classe, espécie ou tipo.

A expressão refere-se à severidade ou resistência de certos seres espirituais malignos, exigindo maior consagração espiritual (oração e jejum), sem qualquer conotação com parasitologia.

O rapaz do vídeo também fala sobre os livros descartados pelas tradições protestante e católica romana, na verdade eles não foram "escondidos por conterem segredos de saúde", mas sim rejeitados pelas comunidades cristãs primitivas por falta de Apostolicidade, incoerência doutrinária com o restante das Escrituras e datação tardia.

E pra encerrar, o jejum é uma prática de abstinência voltada ao quebrantamento, à humilhação diante de Deus e à busca por intimidade espiritual, nunca um tratamento médico ou detox biológico.

​Essa interpretação grosseira mistura conceitos de saúde holística modernos com textos antigos para gerar um sensacionalismo sem respaldo acadêmico ou bíblico.

domingo, 23 de agosto de 2026

O CRISTÃO E A POLÍTICA - Prof. Waldir Ramos



O CRISTÃO E A POLITICA – Prof. Waldir Ramos

Introdução:

A política faz parte da vida humana porque ninguém vive completamente isolado. Toda sociedade precisa organizar sua convivência, estabelecer leis, administrar recursos, proteger direitos e buscar soluções para problemas coletivos. Por isso, a política não deve ser reduzida a partidos, eleições ou disputas de poder, só porque o termo foi banalizado. Ela envolve a responsabilidade de governar e participar da vida pública visando ao bem da comunidade.

Para o cristão, essa participação precisa ser orientada pela soberania de Deus, pelo amor ao próximo, pela justiça e pela verdade. A Bíblia não apresenta a política como uma área moralmente neutra, nem ordena que todos os cristãos ocupem cargos públicos. Entretanto, mostra diversos servos de Deus envolvidos em estruturas de governo e ensina que os cidadãos devem agir com responsabilidade diante das autoridades e da sociedade.

A questão principal não é apenas se o cristão pode participar da política, mas de que maneira deve fazê-lo sem transformar a fé em instrumento de dominação partidária, sem idolatrar líderes e sem abandonar os princípios do evangelho. Mas antes de nos aprofundarmos nessa área, precisamos primeiro entender as raízes da politica.

 

1. O que é a política?

A palavra “política” vem do grego politikḗ, relacionada a pólis, isto é, cidade ou comunidade política. Na Antiguidade grega, a política dizia respeito à administração da cidade e à participação dos cidadãos nas decisões públicas.

Aristóteles, em sua obra ''Política'', considerava a cidade uma comunidade formada com vistas a algum bem. Para ele, a comunidade política deveria buscar o bem comum e possibilitar uma vida ordenada e virtuosa. O cidadão era aquele que participava das funções deliberativas, judiciais e administrativas da cidade.

Embora a concepção aristotélica estivesse limitada pelo contexto da sociedade grega — que excluía mulheres, escravos e estrangeiros da cidadania plena —, sua reflexão deixou uma contribuição importante: a política não deve existir apenas para beneficiar governantes ou grupos particulares, mas para cuidar da vida coletiva.

 

A política pode ser compreendida como:

- A organização da vida coletiva.

- A administração dos recursos públicos.

- A elaboração e aplicação das leis.

- A proteção dos direitos e da dignidade humana.

- A busca de soluções para os problemas sociais.

- A participação dos cidadãos nas decisões que afetam a comunidade.

 

Nesse sentido, política existe tanto no governo municipal, estadual e federal quanto na participação comunitária, nos conselhos, nas associações, nas escolas, nas igrejas e em outras instituições sociais.

 

A política se torna corrompida quando o poder público deixa de servir ao bem comum e passa a ser utilizado para enriquecimento pessoal, perseguição de adversários, manipulação das massas ou manutenção de privilégios. Aristóteles distinguiu as formas de governo orientadas ao bem comum daquelas que se degeneravam em benefício dos governantes. Essa distinção continua atual: o problema não é apenas a forma de governo, mas a finalidade e o caráter de quem governa.

 

Romanos 13.1-4 afirma que a autoridade civil possui uma função de ordem e justiça. Entretanto, a própria Escritura também denuncia reis, sacerdotes e governantes que abusaram do poder. O profeta Natã confrontou Davi por causa do pecado contra Urias e Bate-Seba (2Sm 12.1-12); Elias confrontou Acabe pela apropriação da vinha de Nabote (1Rs 21); e João Batista denunciou Herodes por sua imoralidade (Mc 6.17-20).

 

Assim, respeitar a autoridade não significa aprovar todo ato do governo. O cristão deve reconhecer a legitimidade da ordem pública, mas também manter sua lealdade suprema a Deus. Quando as autoridades exigem aquilo que contradiz claramente a vontade divina, prevalece o princípio de Atos 5.29: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens”.

 

2. A política na história bíblica.

A Bíblia não apresenta um tratado sistemático de ciência política, mas acompanha a história da humanidade mostrando diferentes formas de organização social e governamental.

 

Nos primeiros relatos bíblicos, a organização social aparece principalmente em torno da família, dos clãs e das tribos. Abraão exercia liderança sobre sua casa, seus servos e seus aliados. Ele também negociou, tomou decisões militares e dialogou com reis, como Melquisedeque, rei de Salém, e o rei de Sodoma (Gn 14).

 

Mesmo nesse período inicial, a Bíblia demonstra que a liderança deveria estar relacionada à responsabilidade moral. Abraão foi chamado para ser uma bênção às famílias da terra (Gn 12.1-3), e não apenas para buscar benefícios pessoais.

 

Com Moisés, Israel passou de uma família numerosa para uma comunidade nacional. O povo recebeu leis, instituições, princípios de justiça e formas de organização social.

Em Êxodo 18, Jetro aconselhou Moisés a estabelecer líderes sobre grupos de mil, cem, cinquenta e dez pessoas. Essa passagem apresenta princípios de delegação, administração e justiça. Moisés não deveria concentrar sozinho todas as decisões do povo.

A Lei também estabelecia proteção para estrangeiros, viúvas, órfãos e pobres (Êx 22.21-27; Lv 19.9-18; Dt 24.17-22). O governo e a vida comunitária deveriam refletir a justiça de Deus.

Deuteronômio 17.14-20 apresenta orientações para o rei de Israel. O governante não deveria multiplicar cavalos, mulheres ou riquezas, nem considerar-se superior ao povo. Deveria conhecer a Lei e viver debaixo dela. Esse texto ensina que o poder precisa ser limitado pela justiça e pela submissão a princípios superiores.

 

No período dos juízes, Israel viveu grande instabilidade política e espiritual. O livro de Juízes repete que “cada um fazia o que parecia direito aos seus olhos” (Jz 21.25). A ausência de liderança justa produziu violência, idolatria e desordem.

O livro mostra que a sociedade não é corrigida apenas por estruturas políticas. A corrupção pública frequentemente está relacionada à corrupção do coração. Por isso, a transformação política precisa ser acompanhada de conversão moral e espiritual.

 

Com Saul, Davi e Salomão, Israel passou a ter uma monarquia. Davi foi escolhido por Deus, mas seus pecados demonstraram que até um rei ungido poderia abusar do poder. Salomão começou seu governo pedindo sabedoria para julgar o povo (1Rs 3.9), mas posteriormente acumulou riquezas, mulheres e alianças que comprometeram sua fidelidade (1Rs 11.1-13).

Depois da divisão do reino, muitos reis foram condenados pelos profetas por causa da idolatria, da injustiça e da exploração dos pobres. O problema não era a existência de uma estrutura política, mas a infidelidade dos governantes e do povo.

 

Os profetas apresentaram uma visão profundamente ética da vida pública:

 

- Isaías condenou governantes que estabeleciam leis injustas e exploravam os necessitados (Is 10.1-2).

- Amós denunciou a corrupção judicial e a exploração dos pobres (Am 2.6-7; 5.11-15).

- Miqueias resumiu a vontade de Deus em três atitudes: praticar a justiça, amar a misericórdia e andar humildemente com Deus (Mq 6.8).

- Jeremias orientou os exilados a buscarem o bem da cidade onde estavam vivendo (Jr 29.7).

Durante o exílio, judeus fiéis serviram dentro de governos pagãos sem abandonar sua identidade espiritual. Esse período oferece alguns dos exemplos mais relevantes para a discussão sobre o cristão e a política.

 

José foi vendido como escravo, mas Deus o elevou a uma posição de autoridade no Egito. Em Gênesis 41.38-46, Faraó o nomeia governador, colocando-o responsável pela administração do país.

José utilizou sua posição para administrar a produção e preservar vidas durante uma grande fome. Seu exemplo mostra que um servo de Deus pode atuar em uma estrutura política não israelita e buscar o bem de uma população ampla.

Contudo, o relato também exige leitura cuidadosa: a política econômica de José fortaleceu enormemente o poder de Faraó e levou a população a vender terras, rebanhos e liberdade para sobreviver (Gn 47.13-26). Portanto, o texto não deve ser usado de maneira simplista para glorificar qualquer concentração de poder. Ele mostra tanto a capacidade administrativa de José quanto a complexidade moral das decisões políticas.

 

Daniel serviu em diferentes governos, primeiro na Babilônia e depois no império medo-persa. Nabucodonosor o colocou sobre toda a província da Babilônia (Dn 2.48), e posteriormente ele se destacou entre os administradores do reino de Dario, porque nele havia “um espírito excelente” (Dn 6.1-3).

Daniel não se isolou da vida pública, mas também não permitiu que o governo redefinisse sua adoração. Ele serviu com competência, honestidade e fidelidade, mas continuou orando a Deus mesmo quando uma lei imperial tentou impedir sua devoção (Dn 6.10).

 

Ester tornou-se rainha no império persa e utilizou sua influência para impedir o extermínio do povo judeu. Mardoqueu também ocupou posição relevante no governo (Et 8.1-2).

 

O livro de Ester destaca a responsabilidade de agir em momentos de crise. A pergunta de Mardoqueu — “Quem sabe se para conjuntura como esta é que foste elevada a rainha?” (Et 4.14) — mostra que posição e influência podem trazer uma vocação de serviço.

Ester não usou sua autoridade para benefício individual, mas para proteger pessoas ameaçadas. Sua atuação envolveu prudência, estratégia, coragem, jejum e disposição para correr riscos.

 

Neemias foi copeiro do rei Artaxerxes e recebeu autorização para reconstruir os muros de Jerusalém (Ne 1–6). Ele articulou recursos, organizou trabalhadores, enfrentou oposição e corrigiu abusos econômicos entre os próprios judeus (Ne 5.1-13).

Neemias combina espiritualidade e administração. Ele orou, planejou, negociou e tomou decisões públicas. Seu exemplo demonstra que oração não substitui planejamento, assim como planejamento não substitui dependência de Deus.

 

 

Agora falando sobre o Novo Testamento, Jesus viveu sob o domínio do Império Romano. Ele não liderou um movimento armado para conquistar o poder político, mas também não foi indiferente às questões públicas. Ensinou a dar “a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22.21), confrontou a hipocrisia dos poderosos e anunciou um reino que relativiza todos os impérios humanos.

O Apóstolo Paulo, por sua vez, utilizou seus direitos como cidadão romano para obter proteção legal e denunciar abusos (At 16.35-40; 22.25-29; 25.10-12). Isso demonstra que o cristão pode usar instrumentos jurídicos e institucionais para defender a justiça.

 

3. O cristão pode se envolver na política?

Sim. O cristão pode participar da política como cidadão, eleitor, líder comunitário, conselheiro, servidor público, assessor, candidato ou ocupante de cargo eletivo. A Bíblia não estabelece uma proibição geral contra essa participação.

A participação, porém, não é automaticamente santa apenas porque alguém usa linguagem religiosa. Também não é automaticamente pecaminosa apenas porque ocorre no ambiente público. O critério bíblico é o caráter, a finalidade e os meios utilizados.

 

Jeremias 29.7 ordena aos exilados que buscassem a paz e a prosperidade da cidade onde viviam. Embora o contexto seja o exílio na Babilônia, o princípio mostra que o povo de Deus deve contribuir para o bem da sociedade, mesmo vivendo sob um governo que não compartilha sua fé.

 

O cristão não existe apenas para cuidar dos interesses internos da igreja. Ele é chamado a ser sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13-16).

Jesus resumiu a Lei no amor a Deus e ao próximo (Mt 22.37-40). A política envolve decisões que afetam diretamente os pobres, doentes, idosos, crianças, trabalhadores, imigrantes e pessoas vulneráveis.

 

Por isso, a indiferença diante da injustiça pode contradizer o amor cristão. Defender políticas públicas justas, combater a corrupção e proteger a dignidade humana podem ser expressões concretas do amor ao próximo.

A Bíblia ordena: “Aprendei a fazer o bem; praticai o que é reto; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas” (Is 1.17). Provérbios 31.8-9 também chama o povo de Deus a falar em favor dos que não podem defender-se.

Esses textos não determinam um único programa partidário, mas estabelecem critérios morais: justiça, defesa dos vulneráveis, honestidade e responsabilidade.

 

Paulo ensinou os cristãos a respeitarem as autoridades e a cumprirem suas responsabilidades civis (Rm 13.1-7; Tt 3.1). Jesus também falou sobre o pagamento de impostos (Mt 22.17-21).

 

Ao mesmo tempo, a obediência ao Estado não é absoluta. As parteiras hebreias desobedeceram à ordem de Faraó de matar os meninos hebreus (Êx 1.15-21). Os apóstolos recusaram-se a parar de anunciar Cristo quando foram proibidos pelas autoridades (At 4.18-20; 5.29).

A postura cristã, portanto, não é anarquia nem submissão cega: é respeito responsável, com resistência quando o poder viola a justiça e a vontade de Deus.

 

4. De que forma o cristão pode participar?

Como cidadão, o voto deve ser exercido com responsabilidade, não com idolatria. O cristão deve avaliar candidatos e propostas por critérios como:

- Integridade e histórico público.

- Competência e responsabilidade administrativa.

- Compromisso com a verdade.

- Respeito à dignidade humana.

- Disposição para prestar contas.

- Defesa da justiça e dos vulneráveis.

- Capacidade de dialogar e respeitar as instituições.

Nenhum candidato representa perfeitamente o Reino de Deus. O cristão precisa rejeitar a ideia de que determinado partido, político ou ideologia é equivalente ao evangelho.

A participação política não se limita ao dia da eleição. O cristão pode acompanhar o orçamento público, participar de audiências, fiscalizar obras, cobrar transparência, integrar associações, dialogar com representantes e denunciar irregularidades.

A democracia depende de cidadãos que não abandonem o espaço público. A política se deteriora quando pessoas honestas se retiram completamente e deixam as decisões nas mãos de grupos interessados apenas em poder.

 

Como servidor público, o cristão que exerce uma função pública deve enxergar seu trabalho como serviço, não como oportunidade de privilégio. José, Daniel e Neemias demonstram competência e fidelidade em ambientes de governo.

A ética pública exige:

- Recusar suborno e favorecimento indevido.

- Não usar o cargo para enriquecimento pessoal.

- Tratar cidadãos com igualdade.

- Cumprir leis justas.

- Prestar contas.

- Proteger o interesse público.

- Admitir erros e corrigir abusos.

Romanos 12.2 ensina que o cristão não deve conformar-se com o padrão corrompido do mundo. Isso também se aplica à cultura política.

 

Como candidato, o cristão pode candidatar-se, desde que compreenda que o cargo não lhe dá autoridade espiritual sobre a consciência das pessoas. Um político cristão não deve instrumentalizar a igreja, usar o púlpito como palanque ou confundir a autoridade pastoral com a autoridade estatal.

 

Ele deve lembrar-se de que o poder é temporário. Salmos 146.3 adverte: “Não confieis em príncipes”. A esperança final da igreja não está em governos humanos, mas no reinado de Cristo.

 

A presença cristã na política pode produzir benefícios, mas também apresenta perigos importantes.

Quando cristãos tratam um líder como salvador da pátria, perdem a centralidade de Cristo. Nenhum governante merece confiança absoluta. A Bíblia afirma que “maldito é o homem que confia no homem” como fundamento último de sua esperança (Jr 17.5), enquanto o Salmo 146.3 orienta a não colocar a esperança nos príncipes.

 

O nome de Deus pode ser utilizado para legitimar interesses pessoais, campanhas eleitorais e projetos autoritários. A igreja precisa discernir quando a linguagem religiosa está servindo ao evangelho e quando está apenas buscando votos.

 

O ambiente político costuma estimular insultos, suspeitas e desumanização dos adversários. O cristão deve lembrar que até o oponente político é uma pessoa criada à imagem de Deus (Gn 1.26-27). É possível discordar firmemente sem mentir, caluniar ou odiar.

 

Nenhum projeto político justifica mentira, compra de votos, suborno, violência ou manipulação. A finalidade não santifica meios pecaminosos. O cristão não deve defender o erro apenas porque foi praticado por alguém do seu grupo.

 

O Reino de Deus não pode ser reduzido a um partido, uma nação ou uma ideologia. Jesus declarou que seu reino não era deste mundo no sentido de ter origem e funcionamento semelhantes aos impérios humanos (Jo 18.36). O Reino de Cristo transforma pessoas e sociedades, mas não pode ser capturado por qualquer estrutura partidária.

 

5. Grandes influencias políticas na história.

A reflexão cristã sobre política também dialogou com grandes teólogos e filósofos da história.

 

A)   Agostinho de Hipona:

O teólogo e escritor Agostinho, em ‘’A Cidade de Deus’’, distinguiu a “cidade de Deus” da “cidade dos homens”. Ele não estava falando simplesmente de duas instituições políticas, mas de duas orientações do amor: a sociedade humana marcada pelo amor próprio e a comunidade orientada pelo amor a Deus.

Para Agostinho, nenhum Estado terreno é perfeito, porque todos os seres humanos são marcados pelo pecado. Essa visão ajuda o cristão a evitar utopias políticas. Nenhuma revolução, partido ou governo realizará plenamente a justiça do Reino de Deus.

Ao mesmo tempo, Agostinho não defendia a indiferença. A autoridade civil tem a responsabilidade de preservar uma ordem mínima e conter a violência, embora permaneça limitada e sujeita ao juízo de Deus.

 

B)   Tomás de Aquino:

O teólogo e também escritor Tomás de Aquino desenvolveu uma concepção de lei natural e bem comum. Para ele, a autoridade política deveria promover condições para uma vida humana digna e ordenada. A lei injusta, por contrariar a razão e o bem comum, perde sua força moral em determinado sentido.

A contribuição de Tomás é importante porque mostra que a política precisa estar submetida à justiça, e não apenas à vontade do governante ou à força da maioria.

 

C)   Martin Luther King e Malcolm X:

Martin Luther King Jr. foi pastor batista e líder do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos. Sua atuação política estava fundamentada na dignidade humana, na justiça, na igualdade e na resistência não violenta. Ele utilizava argumentos bíblicos, especialmente relacionados ao amor ao próximo, à justiça e à dignidade de todos os seres humanos.

 

Malcolm X, por sua vez, destacou a autodeterminação da população negra, a resistência ao racismo e o direito à defesa diante da violência e da opressão. Embora tenha seguido uma trajetória religiosa islâmica e não possa ser apresentado como teólogo cristão, sua atuação é relevante para compreender diferentes formas de participação política e de luta por justiça.

 

Conclusão:

O cristão pode e, em muitos casos, deve envolver-se responsavelmente na política. A Bíblia mostra homens e mulheres de fé atuando em governos, aconselhando autoridades, defendendo os oprimidos, administrando recursos e resistindo a leis injustas. José, Daniel, Ester, Neemias, Moisés, Paulo e outros exemplos demonstram que a presença do povo de Deus na sociedade pode produzir proteção, justiça e ordem.

 

Entretanto, a participação política cristã precisa ser marcada por humildade e discernimento. O cristão não deve idolatrar governantes, transformar partidos em igrejas, usar o nome de Deus para manipular consciências ou abandonar a ética em nome de resultados eleitorais.

 

A política é um campo de serviço ao próximo, mas não é o lugar onde a humanidade encontrará sua salvação definitiva. Governos são necessários, porém limitados. Partidos podem ser úteis, porém imperfeitos. Líderes podem contribuir, porém falham. A esperança final da igreja está em Jesus Cristo, o verdadeiro Rei, cujo reino é de justiça, paz e verdade.

Por isso, o cristão deve participar da vida pública com consciência, honestidade e coragem, lembrando-se das palavras de Jesus: “Vós sois o sal da terra” e “vós sois a luz do mundo” (Mt 5.13-14). A missão cristã não termina na igreja; ela alcança a família, o trabalho, a comunidade e também a política — sempre sob o senhorio de Cristo.

 

 

Referências bíblicas:

- Gênesis 41.38-46 — José como governador do Egito.

- Êxodo 1.15-21 — As parteiras que resistiram a uma ordem injusta.

- Êxodo 18.13-27 — Organização administrativa proposta por Jetro.

- Deuteronômio 17.14-20 — Limites e deveres do rei.

- 2Samuel 12.1-12 — Natã confrontando Davi.

- 1Reis 21 — Elias confrontando Acabe.

- Ester 4–8 — Ester e Mardoqueu defendendo seu povo.

- Jeremias 29.7 — Busca do bem da cidade.

- Daniel 2.48; 6.1-10 — Daniel no serviço público e sua fidelidade.

- Miquéias 6.8 — Justiça, misericórdia e humildade.

- Mateus 5.13-16 — Sal da terra e luz do mundo.

- Mateus 22.15-22 — César e Deus.

- Marcos 6.17-20 — João Batista confrontando Herodes.

- Atos 4.18-20; 5.29 — Obediência a Deus acima das autoridades.

- Atos 16.35-40; 22.25-29; 25.10-12 — Paulo utilizando seus direitos civis.

- Romanos 13.1-7 — Responsabilidade diante das autoridades.

- 1Timóteo 2.1-2 — Oração pelos governantes.

- 1Pedro 2.13-17 — Respeito às autoridades e prática do bem.

 

Referências bibliográficas:

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ARISTÓTELES. Política. Tradução de António Campelo Amaral e Carlos de Carvalho Gomes. Lisboa: Vega, 1998.

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AQUINO, Tomás de. Do governo dos príncipes ao rei de Chipre. São Paulo: Edições Loyola, 1997.

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BOBBIO, Norberto. Estado, governo, sociedade: para uma teoria geral da política. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

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CÍCERO, Marco Túlio. Da república. São Paulo: Abril Cultural, 1973.

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GRUDEM, Wayne. Política segundo a Bíblia: princípios que todo cristão deve conhecer. São Paulo: Vida Nova, 2014.

HAYS, Richard B. A ética do Novo Testamento: o caminho da obediência. São Paulo: Vida Nova, 1997.

HORSLEY, Richard A. Jesus e o império: o reino de Deus e a nova desordem mundial. São Paulo: Paulus, 2004.

HORSLEY, Richard A. (org.). Paul and Empire: Religion and Power in Roman Imperial Society. Harrisburg: Trinity Press International, 1997.

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LIMA, Francisco Jozivan Guedes de. Sobre a noção de bem comum no pensamento político ocidental: entre becos e encruzilhadas da dimensão ancestral do moderno conceito de interesse público. Revista de Investigações Constitucionais, Curitiba, 2019.

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YODER, John Howard. A política de Jesus. São Leopoldo: Sinodal, 1988.

 

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

MOTIVOS PARA ESTUDAR O IDIOMA ORIGINAL DO TEXTO BIBLICO - Prof. Waldir Ramos

 

MOTIVOS PARA ESTUDAR O IDIOMA ORIGINAL DO TEXTO BIBLICO:

Estudar o texto original da Bíblia Sagrada, escrito predominantemente em Hebraico e Aramaico no Antigo Testamento e Grego Koiné no Novo Testamento — transforma por completo a leitura devocional ou acadêmica. Nenhuma tradução, por mais precisa que seja, consegue capturar 100% da riqueza semântica, cultural e literária dos idiomas originais.

 

No português a mesma palavra pode ser usada em vários contextos, já no hebraico ou grego koiné, é usado vários tipos de palavras diferentes para distintos contextos, como por exemplo, no grego nós temos duas de muitas variações de palavras para ‘’amor’’.

 

Em João 21:15-17, temos uma curiosidade interessante.

Como lemos no português:

Jesus pergunta duas vezes "Pedro, você me ama?" e Pedro responde "Sim, Senhor, tu sabes que te amo". Na terceira vez, Jesus pergunta de novo e Pedro se entristece. Parece apenas uma repetição insistente.

 

Como é no grego original:

O diálogo usa dois verbos diferentes para "amar":

Perguntas 1 e 2 de Jesus: usa Agapao (amor incondicional, entregue, sacrificial).

Respostas 1 e 2 de Pedro: usa Phileo (afeto de amigo, carinho fraternal), pois Pedro, após ter negado Jesus, reconhece humildemente que não consegue prometer um amor perfeito.

Pergunta 3 de Jesus: Jesus muda a palavra e pergunta com Phileo ("Pedro, você é meu amigo de fato?").

 

O que muda: Jesus desce ao nível de maturidade que Pedro conseguia entregar naquele momento para acolhê-lo e restaurá-lo, em vez de exigir algo que ele ainda não podia dar.

 

Quais ferramentas usar para se aprofundar no texto original:

Bíblias interlineares: Apresentam o texto original lado a lado com a tradução palavra por palavra.

Dicionários e léxicos virtuais: Permitem consultar o significado das palavras originais usando um sistema de numeração ou passagens selecionadas.


-Prof. Waldir Ramos

segunda-feira, 27 de julho de 2026

3 COISAS QUE SÃO PECADO, MAS NÃO PARECEM!

 

3 COISAS QUE SÃO PECADO, MAS NÃO PARECEM!


Introdução:

Você já reparou como no Brasil a gente aprendeu a valorizar quem é 'esperto'? Nossa cultura do dia a dia nos empurra o tempo todo para o consumo. Queremos ter o celular do ano, assistir a todos os lançamentos, ter mais dinheiro no bolso e consumir o máximo possível gastando o mínimo.

O problema é que, nessa busca desenfreada por querer gastar menos, a gente acabou normalizando atitudes que a sociedade acha supernormais — mas que, para a Bíblia, têm outro nome: pecado.

Hoje eu quero te mostrar 3 coisas que parecem inofensivas na nossa rotina, mas que ferem princípios bíblicos claros.

 

1° - APOSTAS E JOGOS DE AZAR.

O primeiro ponto são as apostas e jogos de azar — de 'bets' a rifas e loterias. Com o avanço do consumo, o apelo de multiplicar o dinheiro sem trabalhar se tornou parte da nossa cultura diária. Muita gente acha que é só um entretenimento inocente.

Mas a Bíblia nos alerta sobre a motivação por trás da aposta: a cobiça e o amor ao dinheiro.

 

(1 Timóteo 6:10)

‘’Pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram com muitos dores.’’

 

(Provérbios 13:11)

‘’O dinheiro ganho com ilusão vai-se reduzindo, mas quem o ajunta aos poucos terá cada vez mais.’’

Deus nos chama para o trabalho honesto e para o contentamento. A aposta alimenta a ilusão do enriquecimento rápido e a ganância por algo que não foi fruto do nosso esforço."

 

2° - PIRATARIA: CONSUMIR A QUALQUER CUSTO.

O segundo ponto é a pirataria: baixar filmes piratas, usar TV box clandestina, piratear cursos ou usar softwares sem licença. Numa sociedade consumista, acreditamos que temos o 'direito' de consumir todo tipo de entretenimento, mesmo que não possamos pagar por ele.

Parece que não faz mal a ninguém, mas a pirataria é a apropriação do trabalho de outra pessoa sem a devida compensação.

 

(Romanos 13:7)

‘’Pague a todos o que lhes é devido: se imposto, imposto; se tributo, tributo; se respeito, respeito; se honra, honra.’’

 

(Éfesios 4:28)

‘’O que furtava não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos algo de útil, para que tenha o que repartir com quem estiver em necessidade.’’

 

Se não podemos pagar por algo, a atitude cristã não é dar um 'jeitinho' para ter assim mesmo, mas sim exercer o domínio próprio e respeitar o trabalho alheio.

 

Entretanto, no Direito Autoral e na própria ética cristã/social, a pirataria ganha exceções legítimas quando o objetivo não é o lucro nem a apropriação indevida, mas sim a preservação, o acesso fundamental à informação ou o bem público.

No Brasil, a Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610/98, Art. 46) e convenções internacionais preveem situações em que reproduzir ou usar uma obra sem pagar não é considerado crime ou violação, como por exemplo em casos de ter o produto gratuitamente somente para uso pessoal, estudo ou pesquisa. Mas quando o objetivo é consumir mesmo sabendo que pode pagar por ele, a regra continua valendo.

 

 

3° - PEQUENAS DESONESTIDADES.

O terceiro ponto é a pequena desonestidade: ficar com o troco errado do mercado, furar fila, mentir na declaração de algo para levar vantagem ou usar benefícios que não são seus por direito.

Nossa cultura chama isso de 'esperteza', mas para Deus isso é falta de integridade. Achar que 'todo mundo faz’ não anula o princípio da honestidade.

 

(Lucas 16:10)

‘’Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco, também é injusto no muito.’’

 

(Provérbios 20:23)

‘’O Senhor detesta pesos adulterados, e balanças desonestas não lhe agradam.’’

A nossa integridade não é testada nos grandes momentos, mas nos detalhes do dia a dia que ninguém está vendo — exceto Deus."

 

Conclusão:

Seguir a Cristo é nadar contra a corrente da nossa cultura de consumo e vantagem a qualquer preço. O evangelho nos chama para viver de forma transparente, justa e de mãos limpas.

Se você se identificou com algum desses pontos, o caminho não é a culpa, mas a mudança de atitude.

A verdadeira liberdade está em viver de um jeito que honra a Deus em tudo.


-Prof. Waldir Ramos

domingo, 19 de julho de 2026

EBD Lição 03 - A Graça que alcança todos os povos


EBD Lição 03: A Graça que alcança todos os povos.

Texto Áureo: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus.” (Ef 2.8).

Verdade prática: É pela graça que somos alcançados, perdoados e reconciliados com Deus.


Leitura bíblica em classe: Atos 15.1-5,28,29,36-39.


  1. Introdução:

A expansão do Evangelho entre os gentios trouxe grande alegria à Igreja, mas também revelou um dos primeiros desafios doutrinários do Cristianismo. Com o retorno de Paulo e Barnabé a Antioquia da Síria, após a evangelização da Ásia Menor, surgiu uma controvérsia que ameaçava a unidade da fé: a salvação estaria condicionada à observância da Lei de Moisés? 

Cristãos oriundos do farisaísmo passaram a exigir a circuncisão dos gentios convertidos, provocando um debate decisivo sobre a natureza da graça. Diante dessa crise, a Igreja buscou discernimento espiritual e fidelidade às Escrituras, culminando numa decisão importante, no Concílio de Jerusalém, que mostrou que a Graça de Deus alcança todas as nações.


  1. Exegese e Resumo:

  1. Conflito teológico v. 1-5.

Homens vindos da Judeia chegaram a Antioquia pregando que os novos cristãos gentios (não judeus) precisavam ser circuncidados e seguir a Lei de Moisés para serem salvos. Isso gerou uma grande discussão. Para resolver o impasse, a igreja enviou Paulo, Barnabé e outros até Jerusalém para consultar os apóstolos e os presbíteros. Chegando lá, alguns fariseus convertidos insistiram que era necessário exigir a guarda da lei mosaica.


  1. O decreto de Jerusalém v. 28-29.

Após ouvirem os relatos e debaterem, a liderança da Igreja, guiada pelo Espírito Santo, tomou uma decisão equilibrada para não sobrecarregar os gentios. Eles escreveram uma carta determinando que os novos convertidos deveriam se abster de apenas quatro coisas básicas (para manter a comunhão e romper com o paganismo):

  • Alimentos sacrificados a ídolos;

  • Alimentos com sangue;

  • Carne de animais sufocados;

  • Imoralidade sexual.


  1. O desentendimento entre Paulo e Barnabé v. 36-39.

Algum tempo depois, Paulo sugeriu a Barnabé que voltassem para visitar as igrejas onde haviam pregado na primeira viagem missionária. Barnabé queria levar junto João Marcos. No entanto, Paulo se recusou fortemente, porque Marcos os havia abandonado em uma missão anterior (na Panfília). A discussão foi tão intensa que os dois líderes decidiram se separar: Barnabé pegou Marcos e navegou para Chipre, enquanto Paulo escolheu Silas e seguiu por outra rota.


O capítulo mostra que a Igreja Primitiva enfrentou e venceu tanto crises teológicas doutrinárias (resolvidas em concílio e com foco na graça) quanto crises de relacionamento humano (que, apesar da dor da separação, acabaram multiplicando as frentes missionárias).


3. Definição e conceito da Graça:

A palavra grega cháris significa favor, bondade e dom imerecido. No Novo Testamento, a graça descreve a iniciativa soberana de Deus em salvar o ser humano, não por obras ou méritos, mas por amor e misericórdia (Ef 2.8,9). Diante do drama universal do pecado, que separou toda a humanidade de Deus (Rm 3.23), a graça se apresenta como o único meio de reconciliação. A Lei revela o pecado, mas não salva; somente a graça concede vida, pois onde abundou o pecado, superabundou a graça (Rm 5.20).


A graça alcança sua plena expressão na pessoa e na obra de Jesus Cristo. Por amor, Ele se fez pobre para nos enriquecer espiritualmente (2Co 8.9). Em Cristo, a graça não apenas perdoa, mas justifica e transforma, conduzindo o crente a uma vida santa e piedosa (Rm 3.24; Tt 2.11,12). Sua morte substitutiva e ressurreição garantem redenção, perdão e nova vida àqueles que creem (Jo 1.17).


Em Cristo, não há barreiras étnicas, culturais ou religiosas. Todo aquele que invoca o nome do Senhor será salvo (Rm 10.13). Essa graça universal deve ser recebida pela fé em Jesus Cristo, o único Salvador (Ef 2.8; Tt 3.4-7). Diante dessa graça tão ampla e suficiente, somos chamados não apenas a recebê-la, mas a viver sob o seu governo. A graça que salva também ensina, corrige e fortalece. Quem foi alcançado por ela responde com gratidão, fé perseverante e uma vida que glorifica a Deus em obediência e amor. 


A. Como chegar ao trono da graça?

Crescer na graça e no conhecimento de Cristo pressupõe amadurecimento espiritual contínuo (2Pe 3.18). Assim, o acesso ao trono da graça ocorre com confiança, não fundamentada em méritos humanos, mas na obra redentora de Cristo, que removeu a barreira do pecado. 

Além disso, aproximamo-nos com fé viva e reverência, pois sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11.6). Do mesmo modo, essa aproximação exige humildade e coração quebrantado, que o Senhor jamais despreza (Sl 51.17). Por isso, o trono é chamado de Trono da Graça: dele procedem misericórdia, perdão, socorro e poder espiritual. 


B. Quando devemos nos chegar ao trono da graça?

As Escrituras orientam que busquemos a graça “em tempo oportuno” (Hb 4.16). Isso significa que o auxílio divino está sempre disponível no momento exato da necessidade. Com efeito, Deus é socorro bem presente na angústia (Sl 46.1) e jamais se atrasa. Portanto, o trono da graça não é inacessível nem reservado a poucos, mas permanece aberto a todos os crentes, que podem se achegar com confiança, hoje e sempre, pela fé em Jesus Cristo.


C. O'Que recebemos ao nos chegarmos ao trono da Graça?

Ao nos aproximarmos de Deus, recebemos misericórdia, perdão, fortalecimento espiritual e capacitação para viver segundo a sua vontade. Assim, toda a vida cristã depende dessa graça, desde a salvação até o crescimento contínuo em Cristo. Além disso, Deus comunica sua graça por meios espirituais ordenados: As escrituras sagradas (2Tm 3.15), a pregação do Evangelho (Rm 1.16), a oração (Hb 4.16), o jejum (Mt 6.16-18), a adoração (Cl 3.16), a plenitude do Espírito Santo (Ef 5.18) e a comunhão à mesa do Senhor (At 2.42).


CASTAS DE DEMÔNIOS SÃO PARASITAS? - Prof. Waldir Ramos

Jejum para matar vermes? Castas de demônios são parasitas? É oque afirmam alguns ''cristãos'' que seguem o gnosticismo e um ...