O CRISTÃO E A POLÍTICA - Prof. Waldir Ramos



O CRISTÃO E A POLITICA – Prof. Waldir Ramos

Introdução:

A política faz parte da vida humana porque ninguém vive completamente isolado. Toda sociedade precisa organizar sua convivência, estabelecer leis, administrar recursos, proteger direitos e buscar soluções para problemas coletivos. Por isso, a política não deve ser reduzida a partidos, eleições ou disputas de poder, só porque o termo foi banalizado. Ela envolve a responsabilidade de governar e participar da vida pública visando ao bem da comunidade.

Para o cristão, essa participação precisa ser orientada pela soberania de Deus, pelo amor ao próximo, pela justiça e pela verdade. A Bíblia não apresenta a política como uma área moralmente neutra, nem ordena que todos os cristãos ocupem cargos públicos. Entretanto, mostra diversos servos de Deus envolvidos em estruturas de governo e ensina que os cidadãos devem agir com responsabilidade diante das autoridades e da sociedade.

A questão principal não é apenas se o cristão pode participar da política, mas de que maneira deve fazê-lo sem transformar a fé em instrumento de dominação partidária, sem idolatrar líderes e sem abandonar os princípios do evangelho. Mas antes de nos aprofundarmos nessa área, precisamos primeiro entender as raízes da politica.

 

1. O que é a política?

A palavra “política” vem do grego politikḗ, relacionada a pólis, isto é, cidade ou comunidade política. Na Antiguidade grega, a política dizia respeito à administração da cidade e à participação dos cidadãos nas decisões públicas.

Aristóteles, em sua obra ''Política'', considerava a cidade uma comunidade formada com vistas a algum bem. Para ele, a comunidade política deveria buscar o bem comum e possibilitar uma vida ordenada e virtuosa. O cidadão era aquele que participava das funções deliberativas, judiciais e administrativas da cidade.

Embora a concepção aristotélica estivesse limitada pelo contexto da sociedade grega — que excluía mulheres, escravos e estrangeiros da cidadania plena —, sua reflexão deixou uma contribuição importante: a política não deve existir apenas para beneficiar governantes ou grupos particulares, mas para cuidar da vida coletiva.

 

A política pode ser compreendida como:

- A organização da vida coletiva.

- A administração dos recursos públicos.

- A elaboração e aplicação das leis.

- A proteção dos direitos e da dignidade humana.

- A busca de soluções para os problemas sociais.

- A participação dos cidadãos nas decisões que afetam a comunidade.

 

Nesse sentido, política existe tanto no governo municipal, estadual e federal quanto na participação comunitária, nos conselhos, nas associações, nas escolas, nas igrejas e em outras instituições sociais.

 

A política se torna corrompida quando o poder público deixa de servir ao bem comum e passa a ser utilizado para enriquecimento pessoal, perseguição de adversários, manipulação das massas ou manutenção de privilégios. Aristóteles distinguiu as formas de governo orientadas ao bem comum daquelas que se degeneravam em benefício dos governantes. Essa distinção continua atual: o problema não é apenas a forma de governo, mas a finalidade e o caráter de quem governa.

 

Romanos 13.1-4 afirma que a autoridade civil possui uma função de ordem e justiça. Entretanto, a própria Escritura também denuncia reis, sacerdotes e governantes que abusaram do poder. O profeta Natã confrontou Davi por causa do pecado contra Urias e Bate-Seba (2Sm 12.1-12); Elias confrontou Acabe pela apropriação da vinha de Nabote (1Rs 21); e João Batista denunciou Herodes por sua imoralidade (Mc 6.17-20).

 

Assim, respeitar a autoridade não significa aprovar todo ato do governo. O cristão deve reconhecer a legitimidade da ordem pública, mas também manter sua lealdade suprema a Deus. Quando as autoridades exigem aquilo que contradiz claramente a vontade divina, prevalece o princípio de Atos 5.29: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens”.

 

2. A política na história bíblica.

A Bíblia não apresenta um tratado sistemático de ciência política, mas acompanha a história da humanidade mostrando diferentes formas de organização social e governamental.

 

Nos primeiros relatos bíblicos, a organização social aparece principalmente em torno da família, dos clãs e das tribos. Abraão exercia liderança sobre sua casa, seus servos e seus aliados. Ele também negociou, tomou decisões militares e dialogou com reis, como Melquisedeque, rei de Salém, e o rei de Sodoma (Gn 14).

 

Mesmo nesse período inicial, a Bíblia demonstra que a liderança deveria estar relacionada à responsabilidade moral. Abraão foi chamado para ser uma bênção às famílias da terra (Gn 12.1-3), e não apenas para buscar benefícios pessoais.

 

Com Moisés, Israel passou de uma família numerosa para uma comunidade nacional. O povo recebeu leis, instituições, princípios de justiça e formas de organização social.

Em Êxodo 18, Jetro aconselhou Moisés a estabelecer líderes sobre grupos de mil, cem, cinquenta e dez pessoas. Essa passagem apresenta princípios de delegação, administração e justiça. Moisés não deveria concentrar sozinho todas as decisões do povo.

A Lei também estabelecia proteção para estrangeiros, viúvas, órfãos e pobres (Êx 22.21-27; Lv 19.9-18; Dt 24.17-22). O governo e a vida comunitária deveriam refletir a justiça de Deus.

Deuteronômio 17.14-20 apresenta orientações para o rei de Israel. O governante não deveria multiplicar cavalos, mulheres ou riquezas, nem considerar-se superior ao povo. Deveria conhecer a Lei e viver debaixo dela. Esse texto ensina que o poder precisa ser limitado pela justiça e pela submissão a princípios superiores.

 

No período dos juízes, Israel viveu grande instabilidade política e espiritual. O livro de Juízes repete que “cada um fazia o que parecia direito aos seus olhos” (Jz 21.25). A ausência de liderança justa produziu violência, idolatria e desordem.

O livro mostra que a sociedade não é corrigida apenas por estruturas políticas. A corrupção pública frequentemente está relacionada à corrupção do coração. Por isso, a transformação política precisa ser acompanhada de conversão moral e espiritual.

 

Com Saul, Davi e Salomão, Israel passou a ter uma monarquia. Davi foi escolhido por Deus, mas seus pecados demonstraram que até um rei ungido poderia abusar do poder. Salomão começou seu governo pedindo sabedoria para julgar o povo (1Rs 3.9), mas posteriormente acumulou riquezas, mulheres e alianças que comprometeram sua fidelidade (1Rs 11.1-13).

Depois da divisão do reino, muitos reis foram condenados pelos profetas por causa da idolatria, da injustiça e da exploração dos pobres. O problema não era a existência de uma estrutura política, mas a infidelidade dos governantes e do povo.

 

Os profetas apresentaram uma visão profundamente ética da vida pública:

 

- Isaías condenou governantes que estabeleciam leis injustas e exploravam os necessitados (Is 10.1-2).

- Amós denunciou a corrupção judicial e a exploração dos pobres (Am 2.6-7; 5.11-15).

- Miqueias resumiu a vontade de Deus em três atitudes: praticar a justiça, amar a misericórdia e andar humildemente com Deus (Mq 6.8).

- Jeremias orientou os exilados a buscarem o bem da cidade onde estavam vivendo (Jr 29.7).

Durante o exílio, judeus fiéis serviram dentro de governos pagãos sem abandonar sua identidade espiritual. Esse período oferece alguns dos exemplos mais relevantes para a discussão sobre o cristão e a política.

 

José foi vendido como escravo, mas Deus o elevou a uma posição de autoridade no Egito. Em Gênesis 41.38-46, Faraó o nomeia governador, colocando-o responsável pela administração do país.

José utilizou sua posição para administrar a produção e preservar vidas durante uma grande fome. Seu exemplo mostra que um servo de Deus pode atuar em uma estrutura política não israelita e buscar o bem de uma população ampla.

Contudo, o relato também exige leitura cuidadosa: a política econômica de José fortaleceu enormemente o poder de Faraó e levou a população a vender terras, rebanhos e liberdade para sobreviver (Gn 47.13-26). Portanto, o texto não deve ser usado de maneira simplista para glorificar qualquer concentração de poder. Ele mostra tanto a capacidade administrativa de José quanto a complexidade moral das decisões políticas.

 

Daniel serviu em diferentes governos, primeiro na Babilônia e depois no império medo-persa. Nabucodonosor o colocou sobre toda a província da Babilônia (Dn 2.48), e posteriormente ele se destacou entre os administradores do reino de Dario, porque nele havia “um espírito excelente” (Dn 6.1-3).

Daniel não se isolou da vida pública, mas também não permitiu que o governo redefinisse sua adoração. Ele serviu com competência, honestidade e fidelidade, mas continuou orando a Deus mesmo quando uma lei imperial tentou impedir sua devoção (Dn 6.10).

 

Ester tornou-se rainha no império persa e utilizou sua influência para impedir o extermínio do povo judeu. Mardoqueu também ocupou posição relevante no governo (Et 8.1-2).

 

O livro de Ester destaca a responsabilidade de agir em momentos de crise. A pergunta de Mardoqueu — “Quem sabe se para conjuntura como esta é que foste elevada a rainha?” (Et 4.14) — mostra que posição e influência podem trazer uma vocação de serviço.

Ester não usou sua autoridade para benefício individual, mas para proteger pessoas ameaçadas. Sua atuação envolveu prudência, estratégia, coragem, jejum e disposição para correr riscos.

 

Neemias foi copeiro do rei Artaxerxes e recebeu autorização para reconstruir os muros de Jerusalém (Ne 1–6). Ele articulou recursos, organizou trabalhadores, enfrentou oposição e corrigiu abusos econômicos entre os próprios judeus (Ne 5.1-13).

Neemias combina espiritualidade e administração. Ele orou, planejou, negociou e tomou decisões públicas. Seu exemplo demonstra que oração não substitui planejamento, assim como planejamento não substitui dependência de Deus.

 

 

Agora falando sobre o Novo Testamento, Jesus viveu sob o domínio do Império Romano. Ele não liderou um movimento armado para conquistar o poder político, mas também não foi indiferente às questões públicas. Ensinou a dar “a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22.21), confrontou a hipocrisia dos poderosos e anunciou um reino que relativiza todos os impérios humanos.

O Apóstolo Paulo, por sua vez, utilizou seus direitos como cidadão romano para obter proteção legal e denunciar abusos (At 16.35-40; 22.25-29; 25.10-12). Isso demonstra que o cristão pode usar instrumentos jurídicos e institucionais para defender a justiça.

 

3. O cristão pode se envolver na política?

Sim. O cristão pode participar da política como cidadão, eleitor, líder comunitário, conselheiro, servidor público, assessor, candidato ou ocupante de cargo eletivo. A Bíblia não estabelece uma proibição geral contra essa participação.

A participação, porém, não é automaticamente santa apenas porque alguém usa linguagem religiosa. Também não é automaticamente pecaminosa apenas porque ocorre no ambiente público. O critério bíblico é o caráter, a finalidade e os meios utilizados.

 

Jeremias 29.7 ordena aos exilados que buscassem a paz e a prosperidade da cidade onde viviam. Embora o contexto seja o exílio na Babilônia, o princípio mostra que o povo de Deus deve contribuir para o bem da sociedade, mesmo vivendo sob um governo que não compartilha sua fé.

 

O cristão não existe apenas para cuidar dos interesses internos da igreja. Ele é chamado a ser sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13-16).

Jesus resumiu a Lei no amor a Deus e ao próximo (Mt 22.37-40). A política envolve decisões que afetam diretamente os pobres, doentes, idosos, crianças, trabalhadores, imigrantes e pessoas vulneráveis.

 

Por isso, a indiferença diante da injustiça pode contradizer o amor cristão. Defender políticas públicas justas, combater a corrupção e proteger a dignidade humana podem ser expressões concretas do amor ao próximo.

A Bíblia ordena: “Aprendei a fazer o bem; praticai o que é reto; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas” (Is 1.17). Provérbios 31.8-9 também chama o povo de Deus a falar em favor dos que não podem defender-se.

Esses textos não determinam um único programa partidário, mas estabelecem critérios morais: justiça, defesa dos vulneráveis, honestidade e responsabilidade.

 

Paulo ensinou os cristãos a respeitarem as autoridades e a cumprirem suas responsabilidades civis (Rm 13.1-7; Tt 3.1). Jesus também falou sobre o pagamento de impostos (Mt 22.17-21).

 

Ao mesmo tempo, a obediência ao Estado não é absoluta. As parteiras hebreias desobedeceram à ordem de Faraó de matar os meninos hebreus (Êx 1.15-21). Os apóstolos recusaram-se a parar de anunciar Cristo quando foram proibidos pelas autoridades (At 4.18-20; 5.29).

A postura cristã, portanto, não é anarquia nem submissão cega: é respeito responsável, com resistência quando o poder viola a justiça e a vontade de Deus.

 

4. De que forma o cristão pode participar?

Como cidadão, o voto deve ser exercido com responsabilidade, não com idolatria. O cristão deve avaliar candidatos e propostas por critérios como:

- Integridade e histórico público.

- Competência e responsabilidade administrativa.

- Compromisso com a verdade.

- Respeito à dignidade humana.

- Disposição para prestar contas.

- Defesa da justiça e dos vulneráveis.

- Capacidade de dialogar e respeitar as instituições.

Nenhum candidato representa perfeitamente o Reino de Deus. O cristão precisa rejeitar a ideia de que determinado partido, político ou ideologia é equivalente ao evangelho.

A participação política não se limita ao dia da eleição. O cristão pode acompanhar o orçamento público, participar de audiências, fiscalizar obras, cobrar transparência, integrar associações, dialogar com representantes e denunciar irregularidades.

A democracia depende de cidadãos que não abandonem o espaço público. A política se deteriora quando pessoas honestas se retiram completamente e deixam as decisões nas mãos de grupos interessados apenas em poder.

 

Como servidor público, o cristão que exerce uma função pública deve enxergar seu trabalho como serviço, não como oportunidade de privilégio. José, Daniel e Neemias demonstram competência e fidelidade em ambientes de governo.

A ética pública exige:

- Recusar suborno e favorecimento indevido.

- Não usar o cargo para enriquecimento pessoal.

- Tratar cidadãos com igualdade.

- Cumprir leis justas.

- Prestar contas.

- Proteger o interesse público.

- Admitir erros e corrigir abusos.

Romanos 12.2 ensina que o cristão não deve conformar-se com o padrão corrompido do mundo. Isso também se aplica à cultura política.

 

Como candidato, o cristão pode candidatar-se, desde que compreenda que o cargo não lhe dá autoridade espiritual sobre a consciência das pessoas. Um político cristão não deve instrumentalizar a igreja, usar o púlpito como palanque ou confundir a autoridade pastoral com a autoridade estatal.

 

Ele deve lembrar-se de que o poder é temporário. Salmos 146.3 adverte: “Não confieis em príncipes”. A esperança final da igreja não está em governos humanos, mas no reinado de Cristo.

 

A presença cristã na política pode produzir benefícios, mas também apresenta perigos importantes.

Quando cristãos tratam um líder como salvador da pátria, perdem a centralidade de Cristo. Nenhum governante merece confiança absoluta. A Bíblia afirma que “maldito é o homem que confia no homem” como fundamento último de sua esperança (Jr 17.5), enquanto o Salmo 146.3 orienta a não colocar a esperança nos príncipes.

 

O nome de Deus pode ser utilizado para legitimar interesses pessoais, campanhas eleitorais e projetos autoritários. A igreja precisa discernir quando a linguagem religiosa está servindo ao evangelho e quando está apenas buscando votos.

 

O ambiente político costuma estimular insultos, suspeitas e desumanização dos adversários. O cristão deve lembrar que até o oponente político é uma pessoa criada à imagem de Deus (Gn 1.26-27). É possível discordar firmemente sem mentir, caluniar ou odiar.

 

Nenhum projeto político justifica mentira, compra de votos, suborno, violência ou manipulação. A finalidade não santifica meios pecaminosos. O cristão não deve defender o erro apenas porque foi praticado por alguém do seu grupo.

 

O Reino de Deus não pode ser reduzido a um partido, uma nação ou uma ideologia. Jesus declarou que seu reino não era deste mundo no sentido de ter origem e funcionamento semelhantes aos impérios humanos (Jo 18.36). O Reino de Cristo transforma pessoas e sociedades, mas não pode ser capturado por qualquer estrutura partidária.

 

5. Grandes influencias políticas na história.

A reflexão cristã sobre política também dialogou com grandes teólogos e filósofos da história.

 

A)   Agostinho de Hipona:

O teólogo e escritor Agostinho, em ‘’A Cidade de Deus’’, distinguiu a “cidade de Deus” da “cidade dos homens”. Ele não estava falando simplesmente de duas instituições políticas, mas de duas orientações do amor: a sociedade humana marcada pelo amor próprio e a comunidade orientada pelo amor a Deus.

Para Agostinho, nenhum Estado terreno é perfeito, porque todos os seres humanos são marcados pelo pecado. Essa visão ajuda o cristão a evitar utopias políticas. Nenhuma revolução, partido ou governo realizará plenamente a justiça do Reino de Deus.

Ao mesmo tempo, Agostinho não defendia a indiferença. A autoridade civil tem a responsabilidade de preservar uma ordem mínima e conter a violência, embora permaneça limitada e sujeita ao juízo de Deus.

 

B)   Tomás de Aquino:

O teólogo e também escritor Tomás de Aquino desenvolveu uma concepção de lei natural e bem comum. Para ele, a autoridade política deveria promover condições para uma vida humana digna e ordenada. A lei injusta, por contrariar a razão e o bem comum, perde sua força moral em determinado sentido.

A contribuição de Tomás é importante porque mostra que a política precisa estar submetida à justiça, e não apenas à vontade do governante ou à força da maioria.

 

C)   Martin Luther King e Malcolm X:

Martin Luther King Jr. foi pastor batista e líder do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos. Sua atuação política estava fundamentada na dignidade humana, na justiça, na igualdade e na resistência não violenta. Ele utilizava argumentos bíblicos, especialmente relacionados ao amor ao próximo, à justiça e à dignidade de todos os seres humanos.

 

Malcolm X, por sua vez, destacou a autodeterminação da população negra, a resistência ao racismo e o direito à defesa diante da violência e da opressão. Embora tenha seguido uma trajetória religiosa islâmica e não possa ser apresentado como teólogo cristão, sua atuação é relevante para compreender diferentes formas de participação política e de luta por justiça.

 

Conclusão:

O cristão pode e, em muitos casos, deve envolver-se responsavelmente na política. A Bíblia mostra homens e mulheres de fé atuando em governos, aconselhando autoridades, defendendo os oprimidos, administrando recursos e resistindo a leis injustas. José, Daniel, Ester, Neemias, Moisés, Paulo e outros exemplos demonstram que a presença do povo de Deus na sociedade pode produzir proteção, justiça e ordem.

 

Entretanto, a participação política cristã precisa ser marcada por humildade e discernimento. O cristão não deve idolatrar governantes, transformar partidos em igrejas, usar o nome de Deus para manipular consciências ou abandonar a ética em nome de resultados eleitorais.

 

A política é um campo de serviço ao próximo, mas não é o lugar onde a humanidade encontrará sua salvação definitiva. Governos são necessários, porém limitados. Partidos podem ser úteis, porém imperfeitos. Líderes podem contribuir, porém falham. A esperança final da igreja está em Jesus Cristo, o verdadeiro Rei, cujo reino é de justiça, paz e verdade.

Por isso, o cristão deve participar da vida pública com consciência, honestidade e coragem, lembrando-se das palavras de Jesus: “Vós sois o sal da terra” e “vós sois a luz do mundo” (Mt 5.13-14). A missão cristã não termina na igreja; ela alcança a família, o trabalho, a comunidade e também a política — sempre sob o senhorio de Cristo.

 

 

Referências bíblicas:

- Gênesis 41.38-46 — José como governador do Egito.

- Êxodo 1.15-21 — As parteiras que resistiram a uma ordem injusta.

- Êxodo 18.13-27 — Organização administrativa proposta por Jetro.

- Deuteronômio 17.14-20 — Limites e deveres do rei.

- 2Samuel 12.1-12 — Natã confrontando Davi.

- 1Reis 21 — Elias confrontando Acabe.

- Ester 4–8 — Ester e Mardoqueu defendendo seu povo.

- Jeremias 29.7 — Busca do bem da cidade.

- Daniel 2.48; 6.1-10 — Daniel no serviço público e sua fidelidade.

- Miquéias 6.8 — Justiça, misericórdia e humildade.

- Mateus 5.13-16 — Sal da terra e luz do mundo.

- Mateus 22.15-22 — César e Deus.

- Marcos 6.17-20 — João Batista confrontando Herodes.

- Atos 4.18-20; 5.29 — Obediência a Deus acima das autoridades.

- Atos 16.35-40; 22.25-29; 25.10-12 — Paulo utilizando seus direitos civis.

- Romanos 13.1-7 — Responsabilidade diante das autoridades.

- 1Timóteo 2.1-2 — Oração pelos governantes.

- 1Pedro 2.13-17 — Respeito às autoridades e prática do bem.

 

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